01/08/2020 às 17:10 Fotografia

Os retratos que a vida me traz.

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Ceder a padrões sociais jamais foi algo fácil para mim. Por muito tempo tentei, no entanto, me convencer de que seria algo necessário. Primeiro, na profissão: deveria escolher, aos 17 anos, uma profissão. Seria essencial que eu tivesse um trabalho fixo, com carteira assinada ou, preferencialmente, um concurso público. A renda fixa era crucial, mas não combinava comigo. Me formei uma vez, fiz pós graduação, me formei uma segunda vez, e jamais me senti plenamente feliz em nenhum emprego, até que em 2018 percebi: eu realmente não nasci para isso. Sentia falta da arte e da liberdade.

Larguei tudo e escolhi fotografar. Escolhi aquilo que reuniria a arte, a poética da vida e a liberdade não apenas sobre o tempo, mas especialmente sobre a criatividade. Minha vida sempre esteve cercada de referências imagéticas, de paisagens, de olhares que fotografavam sem câmera (fotógrafos me entenderão), de inspirações. A beleza de fotografar jamais havia me abandonado, desde o dia em que entrei pela primeira vez naquela sala escura de revelação. A fotografia sempre esteve aqui, e logo eu saberia até mesmo o quanto o cinema me influenciou nisso.

Introjetei essa arte. Fotografei gestantes, pets, famílias… Cheguei nos partos e encontrei algo ainda mais especial. Segui caminhando por ensaios de casais, casamentos, até chegar também na moda, nos retratos, na natureza e na gastronomia, especialmente pâtisserie. Aos poucos, identifiquei aquilo a que não desejava dar continuidade. Mas também percebi que muito mais que uma ou duas dessas áreas me trazia alegria. 

Levei dois anos até perceber que, assim como na vida eu não tinha sido obrigada a me curvar e escolher uma única paixão para seguir para sempre, não precisava e não o faria na fotografia. Me deixo levar pelos retratos, especialmente os femininos, fotografo a dança que tanto me encanta dos pés à alma, me divirto buscando composições para fotografar, mesmo com as limitações de casa, os doces mais lindos que recebo. Espero ansiosa pela possibilidade de fazer parte da emoção dos nascimentos outras muitas vezes. Planejo todos os editoriais de moda que quero produzir e clicar. Crio projetos autorais que trazem ainda mais de mim e sonho em poder sair de casa e explorar a natureza através da fotografia.

Vejo os laços entre cada uma dessas fotografias, dos nascimentos que originam a vida, aos doces presentes em nossos momentos mais especiais, dos retratos que trazem beleza e leveza, à dança que carrega sonhos eternizados. Da moda que nos veste, que nos faz cada vez mais nós mesmos, à natureza que carregamos dentro de todos nós e que, amor de infância, de quando eu sonhava em ser veterinária, jamais poderia relegar para longe de mim. Não é falta de foco ou de objetivos. Pelo contrario, meu olhar jamais esteve tão nítido. Me enxergo cada vez mais eu.

01 Ago 2020

Os retratos que a vida me traz.

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