Você já parou para pensar em como a nossa memória reconstrói os momentos mais intensos da vida? O nascimento de um filho é, sem dúvidas, um dos maiores ritos de passagem que uma família pode vivenciar. É um turbilhão de hormônios, força, entrega e expectativa. Mas, justamente por ser um momento tão arrebatador, a memória imediata da mãe costuma focar na intensidade do processo — e muitos detalhes preciosos acabam se perdendo na névoa dos hormônios e da emoção.
O meu trabalho de fotografia documental de parto é permitir que a família revisite essas memórias. Ela serve para registrar que o bebê nasceu e para devolver à família as peças que a intensidade do momento acabou guardando em um lugar inacessível da mente.
O respeito à fisiologia.
Um dos maiores receios das gestantes ao cogitar uma fotógrafa na sala de parto é a quebra de privacidade. "Será que uma pessoa a mais não vai me deixar travada?" ou “o flash não vai atrapalhar a equipe médica?".
E não, nada disso vai acontecer comigo presente. Na verdade, é com imensa alegria que ouço, ao final de muitos partos: “eu nem vi que você estava aqui”.
A fotografia documental atua no fluxo do parto. Eu não direciono a cena. Não existe o "olha para cá”, “sorri", nem o uso de luzes invasivas que agridam os olhos sensíveis do recém-nascido, incomodem a mãe ou atrapalhem a equipe médica. Eu trabalho com a luz ambiente (se precisar de mais luz uso uma iluminação suave), lentes para baixa luminosidade e com a invisibilidade. Eu me misturo ao ao cenário para que você se sinta segura para vocalizar, mudar de posição e se entregar ao processo.
Investir no acompanhamento fotográfico do seu parto é garantir que a história desse primeiro encontro seja contada com respeito, verdade e afeto. Anos mais tarde, quando aquela criança estiver correndo pela casa e o parto parecer uma lembrança distante, essas imagens funcionam como uma âncora de realidade. Olhar para esses registros é a chance de revisitar a própria força, de enxergar o nascimento não como um evento hospitalar, mas como o momento exato em que o amor ganhou um rosto.
A fotografia documental preenche as lacunas da memória com a poesia da vida real.